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Visita ao Killing Fields e ao Museu Genocídio Tuol Sleng (S-21)

Phnom Penh é a capital do Camboja, lugar que vivenciou grandes tragédias há pouco tempo atrás, ponto central de um dos maiores genocídios da história. Foi lá que a gente foi parar para conhecer um pouco mais da história desse povo simpático, receptivo e prestativo.

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Chegando lá já foi um choque grande logo de cara. Chegamos por volta das 5:30 da manhã, horário em que nosso hostel estava fechando ainda. Decidimos então esperar abrir na calçada mesmo. Apoiamos nossas malas na parede e sentamos no chão. Minutos depois eu escuto um barulho que imaginei ser de passarinhos cantando. Ledo engano. Olhei para o lado eram dois ratos brigando a poucos passos da gente. Esse momento resumiu um pouco da cidade pra gente. A cidade é toda muito suja, você vê lixo jogado por todo canto e pessoas vendendo comida, sucos, caminhando e até crianças brincando em volta de pilhas e pilhas de lixo espalhadas pelas ruas.

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Por onde andávamos na cidade eram pessoas chamando, pedindo dinheiro, querendo nos vender algo ou simplesmente gritando “Tuk-Tuk sir?”. Confesso que chegava a ser irritante tantas pessoas te pedindo algo ou te oferecendo coisas o tempo todo. Mas nosso motivo maior de estar por lá era mesmo conhecer um pouco melhor a história do Camboja.

Alugamos um Tuk-Tuk para nos levar até o mais famoso campo de extermínio do Camboja, chamado localmente apenas de “Killing Fields”. Lá foi nosso primeiro contato com a realidade e a história desse povo marcado por um passado tão triste. O trajeto já te da uma idéia do que é a realidade dessas pessoas, você sai um pouco da zona turística e entra em uma zona residencial, onde pessoas dividem espaços minúsculos com cachorros, galinhas e outros animais, o rio e o lixo em sua volta. Em um momento específico vi algo que jamais vou esquecer. Um senhor, que aparentava ter seus 60 e tantos anos de idade, tão magro que podia-se contar as costelas de longe. Nunca havia visto alguém tão magro, magreza essa com certeza causada pela fome.

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Chegando no campo de extermínio o silencio é absoluto. Foi lá que milhares de pessoas perderam suas vidas e você consegue sentir o peso do lugar já na entrada. Durante o período do regime comunista de Pol Pot as pessoas foram tiradas de suas casas, famílias foram separadas em diversas vilas e aqueles que desobedecessem qualquer ordem eram trazidos até o campo de extermínio, com a promessa de ser uma nova vila, e já ao chegar muitas perdiam a vida. A visita é guiada por um áudio em inglês, onde você acompanha ponto a ponto o que cada coisa representa. Ali você escuta áudios de sobreviventes e ex-soldados contando como foi vivenciar isso tudo. Para se ter idéia de como era o regime da época há ainda um relato da testemunha de uma execução a sangue frio por conta de duas bananas. O final da visita é um tanto chocante, quando você se depara com 17 andares de crânios de alguns (não couberam todos) dos mortos naquele mesmo lugar que você está. É uma visitação para os fortes. Recomendamos reservar de duas a três horas para conhecer o lugar e entender um pouco mais do que esse povo sofreu, tudo isso há menos de 40 anos. A volta a cidade foi em silencio e reflexão. Confesso que vimos as mesmas pessoas e paisagens da ida com uma perspectiva bem diferente.

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Nossa segunda parada em busca da recente história do Camboja foi no museu do genocídio, mas conhecido como S-21, antiga escola foi fechada durante o regime para se tornar um campo de tortura e extermínio. Na época do regime  diversas escolas tiveram o mesmo destino. Pol Pot as fechou já que para ele a educação não era importante e sim a agricultura. Tirou todos das escolas e colocou no campo. Qualquer forma de conhecimento era considerada traição ao governo e os responsáveis eram mortos, bem como toda sua família para que não houvesse a quem vingar. Milhares de estudiosos foram mortos. Pessoas eram mortas apenas por usarem óculos ou até por questionarem qualquer um dos oficiais do regime. Outros até eram mortos sem motivos. Muitos eram acusados de serem espiões da CIA ou KGB quando na verdade nem sequer sabiam do que se tratavam esses grupos. Ninguém foi poupado. Mulheres e crianças, jovens e adultos, bebês e idosos, todos eram sentenciados e executados pela mão do regime.

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A S-21 é outro choque. Ao passar pelos corredores você imagina aquele local sendo frequentado por crianças correndo para brincar no recreio e um segundo depois imagina os momentos de agonia e sofrimento daqueles que deram seus últimos suspiros de vida por ali. Esse campo de tortura foi o mais secreto de todos do país e milhares perderam a vida dentro de seus muros. Porém, sete sobreviveram e puderam contar um pouco de como era a realidade desse local. Nas antigas salas de aula você encontra desde celas, locais de tortura e fotos daqueles que perderam suas vidas naquele lugar. Incontáveis fotos, histórias e fatos. Reserve meio período para conhecer bem esse local repleto de história.

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Phnom Penh é de fato um lugar não muito agradável de ficar. Sujo, pedintes em toda parte, lixo, ratos e baratas, fora todo peso da história do lugar. Porém seu povo continua sendo simpático, humilde e muito receptivo. Por mais que as vezes não tenham um sorriso no rosto para te receber eles estão de fato contente por te ter ali e poder contar conosco para mudar pouco a pouco sua realidade tão marcada pelo passado.

Nos desculpem pelas fotos pessoal, mas na hora não tivemos muita cabeça para bater foto.

Confira nosso vídeo sobre Phnom Penh: